terça-feira, 22 de outubro de 2013

Voltando a fabrincar palavras.. (não, esse não é um titulo apropriado)

Queria uma música..
Mas ao invés disso só ouço vozes alheia sem pretensão de encaixar seus timbres.
Perco a leveza da mão.
Os meus dedos se enrijecem e custam fazer a tinta dançar no papel.
Ela esta torta e flutua acima da linha. Talvez tenha desacostumado a estar aqui.
Quanto tempo dura um segundo?
E quanto tempo você vai durar?
Queria só dizer..
"Meu Bem, tive medo de perder você..
 tive medo de não ouvir sua voz.. de não sentir seu cheiro.."
E um dente de leão é espalhado pelo vento.
E as asas da borboleta batem devagar.
E a lagarta se torna flor..
Ninguém espera.
Ninguém espera que o sol volte por um segundo depois de anoitecer..
Ninguém espera que a lua troque as fases do calendário e ao invés de nova e cheia,
se torne uma minguante nova lua cheia.
E os pés podem parar de pular.
Os olhos podem perder seus cílios.
E a língua pode secar.
E você se vira e volta do fim.
Aqui já foi terra de azul, de sereias e pescadores.
Terra de flores, estrelas e palavras desentendidas..
desajustadas..
desmioladas..
Casa de palavra nova.
Palavra velha reinventada..
Fabrincada.
Palavra ruim só é mal usada.


domingo, 28 de outubro de 2012

Somos um cebo humano de memórias alheias,
cada palavra dita faz parte de mim.
Escrevo na pele o nome do povo que foi...
e aos que virão, deixo um pedaço do braço.
Névoa que cobre peças...
cortadas, vistas, sentidas, vividas.
Quebra cabeça de mim.
Peças soltas, perdidas, desmontadas,
fotos queimadas.
Memória é assim.
Tenho guardado um bocado de ti,
assim como tens um bocado de mim.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Vento, vento, leve vento

Vummmmm...
o vento desloca flores de árvores.
Tic...
ela se encaixa certeira no cabelo da loirinha.
Ah, deixe ai mesmo mocinha,
foi presente de vento.
Xiiii...
um gato pegou no pé do vento,
faz feito novelo de lã.
Larga esse vento bixano,
deixa ele rodar no ar!
Deixa ele trabalhar,
inda tem muita saia pra levantar.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

E quando estou triste,
quero ficar triste.
Quero mergulhar na melodia triste
e sentir cada nota me espetando um pouco mais.
Quero ver a tarde triste
e deixa-la entrar em mim, 
com suas cores mornas e seu gosto de solidão.
Quero um abraço triste,
desses que não se larga.
Desses que escondem o rosto
e baixam os olhos. 


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Tempo

Os pés mal tocam o chão.
Não dá tempo.
Os passos são dados com tanta rapidez,
que o corpo chega a voar por breves momentos.
Tarefas se acumulam num metro quadrado
Dias se acumulam em poucos segundos
Coisas, e contas, e prosas, e contos, e gente, sorrisos, amigos,
Tudo emaranhado.
Um novelo embolado.
A ponta do começo e do fim se confundem pelo meio
Noite e dia se misturam.
E quando o silêncio chega
Tudo deixa de girar.
O relógio chega a congelar.
A cabeça se inclina devagar para ouvir melhor esse som,
que por um breve momento veio visitar.


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Amigo de poesia

E ele vai dizendo e dizendo quase sem respirar.
Vai falando das rosas e das ondas do mar.
E como se delas fosse irmão, às toma pela mão e às guia até o fim da tarde.
E lá, se fundem para formar a aurora.
As ondas, as rosas, e o fim da tarde com suas cores mornas.
Com suas palavras inventadas, colhidas e arrumadas,
sussurra para mim um pouco de cor.
Me faz ver de ouvir tua beleza.
Me faz sentir o gosto da pureza. 

Compartilhando um dia ruim...

O que é isso que vai caindo sobre mim?
Vai sugando minha esperança  e deixando meu corpo dormente.
Vai calando minha voz e faz tremer a minha mão pra impedir que sobre ela escreva. 
Como uma criança mimada, posso cair aos teus pés e espernear por um pouco mais, um pedacinho apenas, uma pontinha que seja de felicidade.
Traga até mim. Tire essa agonia daqui. Peça pra ela sair. 
Talvez ela obedeça uma voz mais firme. 
Ou talvez ela permaneça...