domingo, 28 de outubro de 2012

Somos um cebo humano de memórias alheias,
cada palavra dita faz parte de mim.
Escrevo na pele o nome do povo que foi...
e aos que virão, deixo um pedaço do braço.
Névoa que cobre peças...
cortadas, vistas, sentidas, vividas.
Quebra cabeça de mim.
Peças soltas, perdidas, desmontadas,
fotos queimadas.
Memória é assim.
Tenho guardado um bocado de ti,
assim como tens um bocado de mim.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Vento, vento, leve vento

Vummmmm...
o vento desloca flores de árvores.
Tic...
ela se encaixa certeira no cabelo da loirinha.
Ah, deixe ai mesmo mocinha,
foi presente de vento.
Xiiii...
um gato pegou no pé do vento,
faz feito novelo de lã.
Larga esse vento bixano,
deixa ele rodar no ar!
Deixa ele trabalhar,
inda tem muita saia pra levantar.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

E quando estou triste,
quero ficar triste.
Quero mergulhar na melodia triste
e sentir cada nota me espetando um pouco mais.
Quero ver a tarde triste
e deixa-la entrar em mim, 
com suas cores mornas e seu gosto de solidão.
Quero um abraço triste,
desses que não se larga.
Desses que escondem o rosto
e baixam os olhos. 


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Tempo

Os pés mal tocam o chão.
Não dá tempo.
Os passos são dados com tanta rapidez,
que o corpo chega a voar por breves momentos.
Tarefas se acumulam num metro quadrado
Dias se acumulam em poucos segundos
Coisas, e contas, e prosas, e contos, e gente, sorrisos, amigos,
Tudo emaranhado.
Um novelo embolado.
A ponta do começo e do fim se confundem pelo meio
Noite e dia se misturam.
E quando o silêncio chega
Tudo deixa de girar.
O relógio chega a congelar.
A cabeça se inclina devagar para ouvir melhor esse som,
que por um breve momento veio visitar.


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Amigo de poesia

E ele vai dizendo e dizendo quase sem respirar.
Vai falando das rosas e das ondas do mar.
E como se delas fosse irmão, às toma pela mão e às guia até o fim da tarde.
E lá, se fundem para formar a aurora.
As ondas, as rosas, e o fim da tarde com suas cores mornas.
Com suas palavras inventadas, colhidas e arrumadas,
sussurra para mim um pouco de cor.
Me faz ver de ouvir tua beleza.
Me faz sentir o gosto da pureza. 

Compartilhando um dia ruim...

O que é isso que vai caindo sobre mim?
Vai sugando minha esperança  e deixando meu corpo dormente.
Vai calando minha voz e faz tremer a minha mão pra impedir que sobre ela escreva. 
Como uma criança mimada, posso cair aos teus pés e espernear por um pouco mais, um pedacinho apenas, uma pontinha que seja de felicidade.
Traga até mim. Tire essa agonia daqui. Peça pra ela sair. 
Talvez ela obedeça uma voz mais firme. 
Ou talvez ela permaneça...

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Quem realmente manda

E como é difícil encaixa-las,
parecem ter vida própria e me enganam bem.
Quando penso que estão a minha mercê, 
me surpreendem e tomam o controle.
Elas tem o poder.
Devem ser mimadas, acariciadas,
tocadas com as pontas dos dedos,
ouvidas, sussurradas, colhidas.
Até que se rendam a ti.
Ai sim poderão ser arrumadas com cuidado,
e farão por ti mais do que espera.
São capazes de esvaziar teu peito,
de limpar tuas mãos.
Palavras queridas, companheiras e amigas.

domingo, 12 de agosto de 2012

E tudo tem um começo...

Acho que não há nada mais estranho para mim do que o fato de escrever aqui...
O fato de escrever em si, não é por demais estranho, mas sim trazer até aqui algumas palavras colhidas e escolhidas por mim. Mostra-las é assustador.
Nos últimos dias tenho dividido com um amigo alguns "poemas" (quer dizer, não sei se poderia lhes dar esse status), o fato é que tenho dividido algo. Estou aqui para compartilhar mais, o problema é que ao dividir algumas florespalavras, como ele diz, colhidas por mim, estaria sendo totalmente revelada e isso sim, é assustador.
Mas eu já estou aqui, e não será nada demais, tudo já é tão exposto mesmo.